terça-feira, 18 de janeiro de 2011

hemorragia


Estou observando Barbara, ela é patética! Tão jovem, tão gostosa e tão sacana. Esqueci de dizer que é bonita, mas, é burra por que não sabe escolher seus homens. Não sabe nada de relações.

Só sabe usar bem o batom vermelho, que lhe dá ares de putinha sedutora, daquelas bem barata,que encontramos em um desses quartos embolorados no centro.

A única vantagem é a idade, o tônus muscular, a produção de colágeno e a bundinha empinada.

Outro dia ela tomou um barato qualquer, disse que foi uma viagem ao seu interior, imagina! Ela não sabe filosofar, só sabe fazer pose .

Ela lê esses artigos da Clarice, ela fala que gosta de Luiz Melodia, ela anda falando muitas bobagens.

O legal é quando ela fica seminua na varanda, desfilando a pele branca e fazendo bico de intelectual, de blasé só para rir da gente.



Estou observando Vera. Tá velha, parece o Lou Reed, toda de preto e bem amarga.

A única coisa que ela usa e eu gosto é esse ray ban preto arredondado.

Admiro seu domínio sobre os homens, ela é totalmente equilibrada.

Possui um corpo magro, elegante apesar das rugas.

Fica repetindo essa música da Sarah Vaughan, parece coisa de fossa.

Eu sei que ela fica me olhando, tem saudades de mim. Eu não sei muito bem lidar com ela.

Ela é meu futuro e eu sou o
seu passado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

que gosto...

...tem a palavra quando sai do papel?
que sentido faz andar por aí e topar com as escolhas certas?
qual presságio tem o corpo que levanta dentre o vigor velho, que não fomentam a alma?

sábado, 8 de janeiro de 2011

Meu nome é ébano

Ah, se eu soubesse que a libertação fosse a ilha, jamais permitiria que a terra me cobrisse.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Convulsiva Medusa


Não te esqueças do que é feito o pão.




terça-feira, 4 de janeiro de 2011

feliz ano velho II


Pra quem tem medo da vida, um pouco de morte.

Pra quem tem sorte com a morte, um azar nas curvas da vida.

Pra quem quer um salto e só encontra o cheiro do asfalto dia após dia.

Pra quem quer um grito, silêncio.

Pra que silencia demais, exposição.


Amores inconfessos, desperdiçados em melodias.

A sociedade saciada de números.

A esfinge, uma piada de mal gosto.


Somos todos feras malditas providas de ventres esquecidos.

Que eu quero esquecer.

E você, também.


Feliz? Ah, feliz ano velho sementes do nada.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz ano velho

apesar dessa frase ser batida, merece o reprise.
nada de novo acontece, apenas a continuação de tantos anos endurecidos pela hegemonia social.
não sei por que andam queimando tantos fogos, por que se vestem de branco ou verde, que fazem mandingas, promessas e pulam ondas.
fazem contagem regressiva de horas que não fazem o menor sentido, brindam, se abraçam.
fazem planos a serem cumpridos ao longo do "novo" período, não dá pra entender por que tanta alegria num único dia.
aí todos ficam "bonzinhos", cheios de fé, falam do bem ao próximo.
durante esse período, todos se comportaram mal. criaram polêmica, jogaram merda no ventilador, fecharam-se em suas conchas, achincalharam o Estado.
tudo é culpa do outro e nada acontece por acaso.
deus está irritado com as indústrias e aí meu filho, está nos fudendo com o aquecimento global, fora a crise econômica, os republicanos etc.
a vida é dura, nunca se tem grana e a saúde pública anda uma desgraça.
dá até vontade mesmo de desistir, mas, essa vida dura é tão curta e viciante que, nos permite sonhar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Poemetos

a) manhã
Ninguém ainda. As rosas me saúdam
e eu saúdo o silêncio
das rosas.

b) ausência
Aqui ninguém
e nuvens.

c) ave
Asas suspensas em
instanteluz.

d) lua
Integralidade.
Fixidez.

e) Narciso
A flor a água a face
a flor a água
a flor.

f) primavera
Da não-espera
acontecem as
flores.

g) lago
Tensão
fria
da água: paz - em - ser.

h) espera
As janelas abertas.
A porta apenas encostada...

i) vaso
mas incomunicante.

j) fim
A ausência das rosas. O caminho
Já sem ninguém, para o silêncio.



Publicado no livro Helianto (1973).

In: FONTELA, Orides. Trevo, 1969/1988. Il. Mira Schendel. São Paulo: Duas Cidades, 1988. (Claro enigma