Andressa queria ser puta e livre, mas era só bipolar.
Valéria bebeu três doses de cachaça (quase virou homem e vomitou).
Meninas se tornam mulheres tristes, e nem é conversa de perna que abriu, de pau que entrou, é conversa de mundo (papo de mãe que diz que mulher tem que se valorizar porque se não, vai ouvir coisas que doem), de valores que Andressa e Valéria não vão compreender nessa ou na próxima estação.
Pensava que o valor estava em sermos quem somos, na loucura, no silêncio, na marijuana, na cocaína, na vodca, na cuba, de cabelos molhados, lisos, enrolados, santa, demoníaca, sorrindo, dançando, vomitando, fazendo o almoço, mandando mensagens na madrugada, querendo que ele ande de costas pra rua de mãos dadas pra ela; gritando chorando, sorrindo e chorando e dançando.
Queria o amor assim, o amor que ama quando a vê vomitando nua embaixo do chuveiro (logo ela que nunca vomita e nunca molha as melenas escovadas assim...) e que deixasse pra lá o vexame raro que a envergonharia.
Andressa se contradiz ( certezas tão opostas em intervalos tão curtos, nem espera compreensão, pudera vir a empatia) e depois não consegue conter as lágrimas; e lágrima de menininha arrogante deve dar um sadismo gostoso dos diabos pra moleque inseguro que já anda comendo outras... Que já viu que seu pau entra mesmo em qualquer lugar, e que tem muita dona entediada com um “grande vazio molhado” por aí.
Naquela noite não choveu, naquela noite o velho branco do samba cantou algo sobre paixão e dormir no abraço. Não falou da chuva que me amedrontaria e de sentir-se um lixo no dia anterior. Mas, tudo bem, era samba! Não presciência caralho!
Por que quando a gente chora parece chuva de presságio de fim de mundo?
(Por falar em chuva, esse domingo chorava alguma coisa bem doída no céu hein?).
Meninas que brincam de meretrizes acabam mulheres tristes...
Mas ser mulher é triste, primeiro o cara finge que ama sua alma (almejando sua vagina lacrada e eufórica), então tudo é alma, beijo é alma, conversas, histórias, coração e alma abertos praquela prole macho tão sem empatia, que se não dissimulasse tanto deixaria os chifres de diabo aparecer...
Não quero lamuriar a condição feminina não...
Porque começa assim, as revelações não demoram tanto. É que se tem amor que não exige muita coisa é amor de menina, “é que a gente dá mais que o corpo em motéis baratos e homem não salva ninguém não...”-declarou Valéria.
Eu sempre quis viver mais, compartilhar mais do que eu penso, sinto, dessas impressões embriagadas, desse mundo meu que eu odeio e me orgulho, de toda essa ampla utopia (que teima em nem ser utopia), eu sempre pensei que amor tinha a ver com empatia, com encanto, algo como querer saber o que o outro é, o que queria ser, o que já foi... Pensava que amar era esperar sem chorar, e chorar sem esperar...
Pensei que amar era respeitar a decadência do outro e nunca se vingar quando o visse frágil.
Eu tenho olhos que confessam, que me entregam.
E finge não me conhecer...
Desgraçadas mesmo, são as mulheres que se julgam felizes (e espertas), que ficam com os caras pelo carro, pelo preço do motel, que não cantam, não dançam nuas olhando no espelho. Mas todo homem quer uma dessas (as da procuradoria, as dos grandes fóruns) valor ta nisso aí, esse valor mundano, quem gosta de homem é viado né? Mulher gosta de dinheiro.
As escritoras, as sociólogas, as professoras, as atrizes, as cantoras, mulher que tem beleza até na decadência, mulher pra andar léguas, pra fazer perder o sono, o fôlego, a paz, mulher que não precisa de cenário (pois já é a própria cena); essas meninas que brincaram de meretrizes e se tornaram mulheres tristes sim, mas verdadeiras, e sem máscaras. Meninas que amaram, que foram chamadas de vagabunda, que nunca precisou de homem nenhum pra estipular seu valor. Que sabem sim, separar diversão do amor, e mesmo quando tentam se enganar, há sempre um domingo, uma chuva que apavora, alguns hematomas que narram a porra toda, a destruição delirante nos braços de quem levou meu melhor e que eu nunca quis roubar ou ferir... O erro, a culpa e a pena...
Andressa estava pensando: “um homem não é homem quando confunde a mulher da cama com a que senta no seu lado no metrô em silêncio, quando leva a puta da cama pro metrô (sem notar que ela já ficou tão frágil que nem é puta mais), não vendo que ela mastiga chicletes e parece ter uns dezesseis anos, mas já vai fazer vinte e dois...”.
Perdi o fio que me conduzia a contar essa história.
Perdi o fio da meada desse meu fim de semana, deixei esse domingo ser mais forte que eu, agora mulher (triste).
Não era pra explicar nada mesmo.
Já me basta ter acabado o domingo e não ter mais ilusões de ser menina com quem me quer meretriz.
(Sei quem sou e o que sou em você, mesmo agora. Nada parecido comigo no google ou no seu passado em que todas as mulheres te exigiam tudo, menos o que você tinha. Parece que pra ter valor tem que exigir aquilo que nem se precisa e ser aquilo que nem se compreende, cansei de tentar entender: sou louca, menina, mulher, sou o que eu quiser! Durma com esse barulho).
Que o acaso proteja Valéria, Andressa, Camila, Suzane, Daniele, Alice, Fernanda, Cíntia, Luisa, Lídia, Lola, Amanda, Maria, Fabiana, Dorinha, Matilde, Benedita... Que o acaso torne e assole as mulheres sorumbáticas, que as meninas masquem chiclete e gozem muito e que as procuradoras mal-comidas dêem por escrito a cotação do encontro e que caiba a eles a reserva dos mais macambúzios e requintados motéis de São Paulo!
domingo, 31 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
solidariedade
NÃO DEIXE O MOSTRO DA CENSURA DESPERTAR!
SOLIDARIEDADE COM ADRIANA VANDONI QUE TEVE O SEU BLOG CENSURADO PELO GOVERNO ATUAL.
SOLIDARIEDADE COM ADRIANA VANDONI QUE TEVE O SEU BLOG CENSURADO PELO GOVERNO ATUAL.
vagina intermezzo
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
prefiro Sthendal

We can! Yes, we can!"
Essa frase nos levará onde?
Um negro falando isso reflete liberdade. Um branco, poder. Na China, economia.
Indiferente das cores, essa frase tem um efeito placebo.
Podemos tantas coisas e logo não podemos mais.
De fato, poder é querer.
Querer sair da merda por exemplo, dá sim. Acho que dá certo ás vezes. Já tentou? Eu tento todos os dias. Denoto que vai bem sim, algumas estratégias nunca são perdidas.
Tem dias que você só quer o sobrevôo na carniça, outros você opta por destroçar a carne.
Ilustração: Federico Garcia Lorca
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Xterminator
Vamos fazer igual ao governador da Califórnia: construir presídios no México para limpar a área do E.U.A.
domingo, 24 de janeiro de 2010
traídos...

Yara limpou os dedos com o guardanapo, calou-se enquanto as ondas batiam barulhentas nas pedras. Era a primeira vez que via o mar depois de ter deixado Marcos pra trás, depois de ter comido seu coração com pimenta e sal num prato branco.
Marcos já não ia trabalhar, acumulava meias em baixo da cama, sabia e negava que ele sim havia fodido com o resto da cena, matado o resto das reticências dentro de Yara.
Era alguma coisa como não saber mais nada sobre o sentir, alguma coisa como gritar e depois se contradizer, alguma coisa como por fogo no único lar que se tem. Alguma coisa como matar crianças satânicas que assolam tudo e gritam muito (mesmo que demônios, ainda são infantes), era algo como condenar por ausência de brandura quem foi deflorado. Era algo como um manifesto de três frases, algo como cinzas de cigarros numa blusa preta sem ter a ciência de quem os fumaram.
Era algo como não perdoar e esquecer.
Yara jamais iria ceder pra quem fosse. Opinião de tolo é que nem casa sem laje.
Marcos foi como um golfinho ensangüentado gritando num oceano longínquo.
Mil e quinhentas guerras se iniciam quando dois corpos se consomem e valem-se do sobrenome de amor.
Depois do motejo, ninguém mais ri, fica pra sempre um beijo, um cortejo e uma sensação sem nome, que custa passar. Quando passa.
Marcos já não ia trabalhar, acumulava meias em baixo da cama, sabia e negava que ele sim havia fodido com o resto da cena, matado o resto das reticências dentro de Yara.
Era alguma coisa como não saber mais nada sobre o sentir, alguma coisa como gritar e depois se contradizer, alguma coisa como por fogo no único lar que se tem. Alguma coisa como matar crianças satânicas que assolam tudo e gritam muito (mesmo que demônios, ainda são infantes), era algo como condenar por ausência de brandura quem foi deflorado. Era algo como um manifesto de três frases, algo como cinzas de cigarros numa blusa preta sem ter a ciência de quem os fumaram.
Era algo como não perdoar e esquecer.
Yara jamais iria ceder pra quem fosse. Opinião de tolo é que nem casa sem laje.
Marcos foi como um golfinho ensangüentado gritando num oceano longínquo.
Mil e quinhentas guerras se iniciam quando dois corpos se consomem e valem-se do sobrenome de amor.
Depois do motejo, ninguém mais ri, fica pra sempre um beijo, um cortejo e uma sensação sem nome, que custa passar. Quando passa.
sábado, 23 de janeiro de 2010
"Hopelessly driftIn the eyes of the ghost again
Down on my knees
And my hands in the air again
Pushing my face in the memory of you again
But I never know if it's real
Never know how I wanted to feel
Never quite said what Iwanted to say to you
Never quite managed the words to explain to you
Never quite knew how to make them believable
And now the time has gone
Another time undone
Hopelessly fighting the devil
Futility
Feeling the moster
Climb deeper inside of me
Feeling him gnawing my heart away
Hungrily
I'll never lose this pain
Never dream of you again"
(the cure_untitled)
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