segunda-feira, 14 de março de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

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E quando as marcas do tempo forem apenas nossos sorrisos guardados, contidos; será mais fácil amar o dia de hoje.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

na rua Bom Pastor


Poucas coisas são boas ao recordar na infância, predominantemente os lugares e as músicas.
Quando criança tudo é novidade, é belo e figurativo. A imaginação é simbolista, a verdade é irreal.
Esse é o estigma de cada ser. Suas experiências são marcadas em um ponto do cérebro que quando adulto, acaba adormecendo. Somente desperta quando o coração aperta.
As eleições são tão singulares e excêntricas que nos perguntamos se estamos no lugar certo e se permite a filosofia, duvidar dessa conspiração armada chamada universo.
Ainda bem que eu tive uma tia que gostava de filmes, vai ver foi isso que me motivou a fazer cinema. Tive uma avó que ouvia músicas. Com certeza foi isso que me fez ter um monte de cd´s e vinis.
Tive também um avô que veio do mato e que tinha ligação com o além. Uma avó que quase foi freira e que gostava de tocar piano. Essa eu nunca tive contato, só por foto.
Não esqueci de outro avô, que ficava pouco tempo comigo. Trabalhava á noite num lugar secreto.
Debaixo da rua Bom Pastor. Durante a madrugada ele criava catedrais.
Eu não entendia muito bem. Achava bonito apenas.
De repente ele se foi também. Não nos despedimos. Penso nele. Penso nos outros que também foram e eu não consegui dar um "até mais".
Ficou a rua Bom Pastor como cenário de um dos meus momentos mais doce.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Memórias atuais


Olhando da janela do meu quarto eu fico pensando se um dia vou estar em outro quarto, com outra janela pra olhar.
Se vou me lembrar de como o amor é um coringa sarcástico quando se está na casa dos vinte e poucos anos. De quando chove assim e eu desejo tanto que um raio caia na minha cabeça.
De como é difícil sustentar a mente sã, os passos leves e certeiros...
Urgência de momento ou não, aquele bem que me foi fito não bastou, mas fará uma falta desgraçada. Mas, tudo bem, tanta coisa faltou durante os anos, tanta saudade de momentos mágicos de plena euforia e harmonia.
Muita coisa que falta e arde em dias de chuva.

Vou me lembrar, roendo as unhas, de como nunca soube se era real o brilho dos olhos e o sorriso faltando alguns dentes do fundo.
Forte como uma pétala de flor longe da flor, assim me sinto, assim acumulam-se dias e lembranças... Sempre buscando o melhor de tudo, pra ofuscar o negror do mundo. Missão falha. Uma coleção de falhas pra contar.

Acho que não estou em condições de ser salva, e a salvação vai de acordo com o merecimento, pode virar pena mortal se você deseja ser salvo da punição do que você mesmo fez.
Mas a essência é como um lobo ferido quando não morre.

Acordo, fumo meu cigarro e repito pra mim mesma que tudo só depende de mim e dos meus atos, mas tem uma série de influências, uma série de deficiências externas.

Ele não sabe ainda, mas é muito fácil me esquecer, deixar pra trás. Não temos nada e a felicidade bate a porta na nossa cara sem remorso algum.
Molduras a parte, o quadro reflete somente um vazio, completo por frustração.

Crer, é o de menos, eu acredito até em duendes...
As sensações passam, ficam guardadas nas fotografias e eu não queria que fosse assim.
Assim como também não queria ter enterrado tantos mortos, lambido tantos cortes e não ter conseguido disfarçar as cicatrizes...

Peço desculpas aos céus, aos deuses, aos demônios e pra ele.
A culpa é um punhal de prata que já necrosou em meu peito.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

um céu


Os pequenos amores são sempre insatisfeitos.Não conseguem explodir como as estrelas, são raios fotográficos que atraem a morte com dignidade.
Morrem á beira mar, me lembrando a guerra da Espanha, quase poética e tão fatal.
Ah, os amores que respiram os seus lábios desencantados, tocam minha nuca e não nos vemos mais nessa semana.
As várias diferenças que nos transformam em amantes compassivos, sublimes e animais, não é a idade e nem a ideologia. Temos os mesmos dilemas e dormimos num vazio aconchegante.
Você continua me contando a mesma estória para adormecer, eu esqueço de dormir e acordamos dentro de uma multidão feroz, que nos ataca com seus passos.
Tudo é pela metade na minha vida, até você veio pelo meio, cortado num flash da máquina.
Celebrei nosso encontro àquela noite e depois nunca mais, nunca mais.
Eu estava no centro da cidade, preparada para me atirar de qualquer lugar alto ou subir na banqueta e laçar meu pescoço.
Eu estava disposta a mudar tudo e nunca mais passar por isso, essa falta de ar, de idéias e de não me reconhecer mais.
Eu não quero mais viver isso. Não tenho dom para atuar, não sejamos ridículos!Isto não é um palco. Estou falando de mim.

sábado, 22 de janeiro de 2011

12 quilos a mais e uma solidão sem som

Nan Goldin

Clichê de volta pra casa: óculos de sol pra esconder as lágrimas que insistentes caiam dos olhos sem lápis e sombra.
Achei estranho as pessoas nas ruas, as cervejas esquentando nos copos enquanto o sorriso esvai entre uma golada e outra. É sábado, um enguiço tão grande dentro de mim que até me esqueci.
Não sinto mais nada, essa pedra, esse nódulo no centro das minhas emoções e sentidos não permite.
Pudera matar ou morrer.
Mas são cortes lentos, é roubo sem recompensa, é sexo sem cheiro.

Não quero amor, não preciso mais desses artifícios.
Procuro alguma palavra que não seja agreste, algum conforto que não seja fuga.

No mais, dou nó em minhas veias e não sinto mais meu coração.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

hemorragia


Estou observando Barbara, ela é patética! Tão jovem, tão gostosa e tão sacana. Esqueci de dizer que é bonita, mas, é burra por que não sabe escolher seus homens. Não sabe nada de relações.

Só sabe usar bem o batom vermelho, que lhe dá ares de putinha sedutora, daquelas bem barata,que encontramos em um desses quartos embolorados no centro.

A única vantagem é a idade, o tônus muscular, a produção de colágeno e a bundinha empinada.

Outro dia ela tomou um barato qualquer, disse que foi uma viagem ao seu interior, imagina! Ela não sabe filosofar, só sabe fazer pose .

Ela lê esses artigos da Clarice, ela fala que gosta de Luiz Melodia, ela anda falando muitas bobagens.

O legal é quando ela fica seminua na varanda, desfilando a pele branca e fazendo bico de intelectual, de blasé só para rir da gente.



Estou observando Vera. Tá velha, parece o Lou Reed, toda de preto e bem amarga.

A única coisa que ela usa e eu gosto é esse ray ban preto arredondado.

Admiro seu domínio sobre os homens, ela é totalmente equilibrada.

Possui um corpo magro, elegante apesar das rugas.

Fica repetindo essa música da Sarah Vaughan, parece coisa de fossa.

Eu sei que ela fica me olhando, tem saudades de mim. Eu não sei muito bem lidar com ela.

Ela é meu futuro e eu sou o
seu passado.