“Porra Henrique! Eu não estava mentindo quando te entreguei tudo que eu tinha, você sabe que você é o único dentro dessa caixa idiota chamada coração...” - disse em pensamento Ana antes de sair dali do corredor sem tapetes da loucura dele.
Não era muito simples respirar naqueles dias, sem saber se ele sentiria o mesmo, se colocaria outra em seu lugar.
Sexo só piora tudo, principalmente porque é a memória da pele a que conduz os inconseqüentes.
Temia tanto que nunca mais voltasse a estar contente, que fosse eterno esse lamento, essa falta e essa certeza de que não valia a pena boa parte das vontades. Queria ter vontades saudáveis como todo mundo, queria ser mais calma como todo mundo e se sentir um pouco mais correta.
Henrique não a amava mais, há algum tempo, mas fazia dela sua refém, porque ele sabia que ela o amaria pra sempre, que fundara nela mais que um corpo ardente, e sim um santuário de tudo que ele destruíra com as próprias mãos.
Para Ana, parecia que havia caído num imenso abismo em que não conseguia mais superar nada e tudo que já havia passado voltava a lhe atormentar.
Um túnel dos ensejos mais sujos e prazerosos... Agora sozinha, esperando ele voltar.
Bethânia gritando na vitrola: “De que lábios beberás um novo romance? Em que lábio meu beijo foi esquecido? Hás de voltar, hás de voltar!”.
domingo, 18 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
floresta negra

Com quantos cogumelos se faz uma Alice?, se ela estiver perdida, diga-lhe para tomar cinco xícaras de chá desses adoráveis seres redondos que nos levam aos sonhos de um terreno distante.
Caso o efeito seja devastador, deixe seu corpo na linha férrea para que a morte seja súbita.
Não permitam que fale com seus pais.
terça-feira, 22 de junho de 2010
~
sexta-feira, 18 de junho de 2010
PESARES
Ao homem sem pontos nem vírgulas
que despiu a imagem divina e nos revelou que a arbitrariedade reside em nós humanos
José Saramago, foi-se mas nem tanto.
que despiu a imagem divina e nos revelou que a arbitrariedade reside em nós humanos
José Saramago, foi-se mas nem tanto.
terça-feira, 15 de junho de 2010
ao vivo é muito pior.
Hoje amanheci como um poema morto.Sem sono como um velho sem pernas tentando entrar em casa.
Desgraças e alguns elogios soam falsos como quem diz que viu fantasma.
Seria essa mesmo a sorte das meninas sem pai?
Estariam jogadas ao bel prazer dos homens sujos?
Minha mãe tem um laudo de morte que aponta meu nome como causa. Eu nunca soube bem como usar o amor que me adoece por ela.
Eu tenho medo de não enlouquecer, de não poder clamar por inocência com a loucura a meu favor...
Eu tenho mais medo ainda de viver muito, da certeza da morte jovem e ainda bela me abandonar!
Quanto ao possuído, não quero saber qual imagem ficou de mim no final do desvario, na curva tresloucada do seu ódio.
Se eu não o tivesse amado, o teria matado, último episódio com morte, clareando minha honra, me salvando com sangue derramado, pra ressurgir meus ânimos, pra reescrever minha história.
Mas eu não mato nem baratas.
Se eu fosse mesmo um demônio o possuiria mais que sua estupidez e cólera estúpida.
Mas eu sou o barbante condutor de luz arrancado por dentes atrozes.
Desgraças e alguns elogios soam falsos como quem diz que viu fantasma.
Seria essa mesmo a sorte das meninas sem pai?
Estariam jogadas ao bel prazer dos homens sujos?
Minha mãe tem um laudo de morte que aponta meu nome como causa. Eu nunca soube bem como usar o amor que me adoece por ela.
Eu tenho medo de não enlouquecer, de não poder clamar por inocência com a loucura a meu favor...
Eu tenho mais medo ainda de viver muito, da certeza da morte jovem e ainda bela me abandonar!
Quanto ao possuído, não quero saber qual imagem ficou de mim no final do desvario, na curva tresloucada do seu ódio.
Se eu não o tivesse amado, o teria matado, último episódio com morte, clareando minha honra, me salvando com sangue derramado, pra ressurgir meus ânimos, pra reescrever minha história.
Mas eu não mato nem baratas.
Se eu fosse mesmo um demônio o possuiria mais que sua estupidez e cólera estúpida.
Mas eu sou o barbante condutor de luz arrancado por dentes atrozes.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)


