quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quarta parede - A Casa de Chá Bangladesh


Suen estava encostada na parede, levemente agachada e suas pernas pareciam travas.
O cliente havia entrado em sua bela espelunca, deixado o perfume e a esperava sentado na poltrona da sala.
Da coluna da entrada, dava para ver o perfil na penumbra e seus olhos não piscavam. Suen ainda segurava a carteira.
- É aqui que você mora?
- O que você quer?
- Quero chá!
- Eu não sirvo chás em minha casa! Saia
daqui!
- Quem é você? Quem é você?!
- Você não entenderia.
- Uma atriz? Circo?Teatro?Cinema? Não, eu nunca ouvi falar de você!
Suen senta-se. O cliente deixa de gritar. Anda pela sala e pára na janela.
- O que eu lhe fiz?
- Me despertou algo incontrolável! Me fez abandonar meus hábitos, de lecionar e das ideologias que eu tinha. Não foi pouca coisa. Me feriu.
- E isso lhe dá o direito de invadir minha casa? Veio constatar se sou de verdade ou senão passo de um alucinógeno erótico? Te fiz sair do eixo? De largar aquelas tolices?
- Queimei livro por livro!
- Isso foi uma decisão sua, não sou culpada. Apenas sirvo chás.


4 comentários:

  1. Um chá de orvalho para a febre, por favor!

    Abraços!

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  2. não sabia que tinha chá de orvalho!rs

    abraços

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  3. Todos somos culpados!!! Ninguem é inocente! Meu chá é frio, como o mundo?

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  4. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog ponto final. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs


    Narroterapia:
    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.
    http://narroterapia.blogspot.com/

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